O
amor não seleciona - 18/07/2010
Era
um casal sem filhos. Os anos se somavam e, por mais que tentassem, a
gravidez nunca se consumava. Aderiram a sugestões e buscaram exames
mais sofisticados que lhes apontaram, enfim, a total impossibilidade
de um dia se tornarem pais dos próprios filhos.
Optaram
pela adoção e se inscreveram em um programa do município, ficando
à espera.
Certo
dia, a notícia chegou inesperada pelo telefone.
-Temos
uma criança. Vocês são os próximos da lista. Venham vê-la.
Rapidamente
se deslocaram para o local. Pelo caminho se perguntavam: "como
será o bebê? Louro? Cabelos castanhos? Miúdo? Olhos negros?
Menino ou menina?"
Tal
fora a alegria na recepção da notícia, que haviam se esquecido de
indagar sobre os detalhes.
Vencida
a distância, foram recepcionados pela assistente social que os
levou ao berçário e apontou um dos bercinhos. O que eles puderam
ver era uma coisinha miúda embrulhada em um cobertor.
Mas
a servidora pública esclareceu:
-Trata-se
de um menino. É importante que vocês o desembrulhem e olhem. Não
sei o que acontece, pois vários casais o vieram ver e não o
levaram. Se vocês não o quiserem, chamaremos o casal seguinte da
lista.
Marido
e mulher se olharam, ele segurou a mão dela e falou:
-Querida, talvez a criança seja deficiente ou enfermo. Pense, se
fosse nosso filho, se o tivéssemos aguardado nove meses, se ele
tivesse sido gerado em seu ventre, alimentado por nossas energias, o
amaríamos, não importando como fosse. Por isso, se Deus nos
colocou em seu caminho, ele é para nós e o levaremos, certo?
A
emoção tomou conta da jovem. Estreitaram-se num amplexo demorado.
-É
nosso filho, desde já. Foi a resposta.
A
enfermeira lhes trouxe o pequeno embrulho. Era um menino de cor
negra. A desnutrição esculpira naquele corpo frágil uma obra
esquelética, com as miúdas costelas à mostra.
Levaram-no
para casa. A primeira mamada foi emocionante. O garotinho sugou com
sofreguidão. Pobre ser! Quanta fome passara. Talvez fosse a
primeira vez que bebesse leite.
No
transcorrer das semanas, o casal descobriu que o pequeno era um poço
de enfermidades complicadas. Meses depois, foi a descoberta de uma
deficiência mental.
Na
medida em que mais problemas surgiam, mais o amavam.
Já
se passaram cinco anos. O garoto, ao influxo do amor, venceu a
desnutrição e as enfermidades.
Carrega
a deficiência, mas aprendeu a falar, embora com dificuldade, e
todas as noites quando se recolhe ao leito, enquanto os pais o
ensinam a orar ao Senhor Jesus, em gratidão pelo dia vencido, ele
abraça, espontâneo a um e outro e diz:
-Mamãe,
papai, amo vocês.
Haverá
na Terra recompensa maior do que a que se expressa na espontaneidade
de uma alma reconhecida na inocência da infância?
[Redação
do Momento Espírita]
Você
sabia que o filho deficiente necessita muito mais dos pais? Que todo
ser que chega ao nosso lar com deficiência e limitação necessita
do nosso amor para que se recupere e supere a própria dificuldade?
O filho portador de necessidades especiais é sempre compromisso para a existência dos pais e um instrumento de evolução coletiva.
Amemos,
pois, os nossos filhos, sejam eles jóias raras de beleza e inteligência
ou diamantes brutos, necessitados de lapidação para que se lhes
descubra a riqueza oculta.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.