A
porta aberta - 20/06/2010
Foi
na escócia, em Glasgow, que esta história aconteceu. A adolescente
tinha problemas em casa, vivendo revoltada com os limites impostos
por seus pais. Ela queria liberdade plena.
Seus
pais lhe ensinaram a respeito de Deus e de suas leis justas e imutáveis.
Um dia, ela declarou: “não quero seu Deus. Desisto, vou embora”.
Saiu
de casa, alcançou os jardins do mundo e almejou ser uma mulher do
mundo. Logo descobriu que não era tão fácil viver sozinha, tendo
que arcar com sua própria subsistência.
O
alimento, as roupas, um lugar para viver. Tudo era extremamente
caro. Frágil e só, incapaz de conseguir um trabalho, ela acabou
por se prostituir para sobreviver.
Os
anos se passaram. Seu pai morreu. Sua mãe envelheceu. E ela nunca
mais tentou qualquer contato com os seus.
Certo
dia, a mãe ouviu falar do paradeiro da filha. Foi até a zona de
prostituição da cidade, tentando resgatá-la, mas não a
encontrou.
No
caminho de volta, tomou uma resolução. Parou em cada uma das
igrejas e templos e pediu licença para deixar ali uma foto sua. Era
uma foto daquela mãe grisalha e sorridente, com uma mensagem
manuscrita: “eu ainda amo
você. Volte para casa”.
Os
meses se passaram. Nada aconteceu.
Então,
um dia, a jovem foi a um local onde se distribuía sopa para os
carentes.
Sentou-se,
enquanto ouvia alguém falar algo sobre aquelas coisas que ela
ouvira durante toda sua infância.
Em
dado momento, seu olhar se voltou para o lado e viu o quadro de
avisos. Pareceu reconhecer aquela foto. Seria possível?
Não
se conteve. Levantou-se e leu a mensagem: “eu
ainda amo você. Volte para casa”.
Reconheceu
sua mãe no retrato. Era bom demais para ser verdade.
Ela
desejara tantas vezes voltar, mas temia não ser recebida. Afinal,
ela se transformara numa vergonha para os seus pais. Era uma mulher
perdida. Objeto de tantos homens.
Era
noite, mas tocada por aquelas palavras, ela foi caminhando até sua
casa. Amanhecia o dia, quando chegou. O sol se espreguiçava em sua
cama de nuvens e seus raios escorriam radiantes, inundando a terra
de pequeninos pontos de luz.
Tímida,
ela se aproximou de sua casa. Não sabia bem o que fazer. Bateu na
porta e esta se abriu sozinha. Ela se assustou.
Alguém
arrombara a casa, pensou. Preocupada com sua mãe, correu para o
quarto e a viu dormindo.
Acordou-a,
chamando-a: “mãe, sou eu. Voltei para casa”.
A
mãe mal podia acreditar. Abraçou-se à filha, em lágrimas.
-Fiquei
tão preocupada, mãe. A porta estava aberta. Pensei que alguém
tinha entrado e ferido você.
Enquanto
passava as mãos, docemente, pelos cabelos da filha, a mãe disse:
-Filha
querida. Desde o dia em que você se foi, a porta nunca mais foi
fechada.
[com
base em texto de Robert Strand]
Alguém
escreveu certa vez ao seu filho: "quando
você era pequeno e bastava estender a mão para tocá-lo, eu usava
cobertores para protegê-lo do frio da noite. Mas agora que você
cresceu e está fora do alcance, junto minhas mãos e cubro você
com minhas orações."
De
todos os amores, o mais próximo de Deus é, possivelmente, o amor
de mãe, pois ele sempre está pronto para estender as mãos e
erguer o filho tombado, não importa se no abismo da desonra, no pântano
da indignidade ou na noite das incertezas.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.