Arrependimento
paterno - 06/06/2010
O
pai entrou de mansinho no quarto do filho que dormia tranqüilamente
e falou como quem tinha muito a considerar:
-Escute
meu filho: digo isto, enquanto você dorme aí com a mão sob o
rosto e os cabelos pregados na testa úmida.
-Há
poucos minutos, lendo o meu jornal, fui tomado de intenso remorso.
Inquieto, vim para perto do seu leito.
-Eis
o que eu pensava meu filho: fui implicante com você; repreendi-o
quando se vestia para a escola e porque não lavara o rosto com
cuidado.
-Falei
com aspereza por causa dos sapatos sujos. Gritei, zangado, quando
deixou suas coisas no chão.
-Ao
café, de manhã, achei pretexto também para resmungar. "Você
derrama leite na toalha; devora em vez de comer; tinha os cotovelos
sobre a mesa; punha manteiga demais no pão."
-E,
quando saímos, você para brincar e eu para tomar o ônibus, você
voltou-se, deu adeus com a mão e gritou: "até logo
paizinho!" Fechei a cara e, como resposta, disse: “endireite
os ombros!"
-Depois,
tudo começou à tarde. Quando vinha pela rua vi-o, de joelhos no chão
brincando; suas meias estavam furadas: humilhei-o diante dos
colegas, mandando que seguisse à minha frente, para dentro de casa.
"As meias são caras e se você tivesse que comprá-las teria
mais cuidado."
-Imagine
filho, ouvir isso de um pai!
-
Lembra-se quando, mais tarde, eu lia na sala e você entrou
timidamente, com um traço de mágoa no olhar? Levantei o jornal,
impaciente pela interrupção, e você hesitou na porta. "Que
é que você quer?" Rosnei.
-Você
não disse nada, mas correu pela sala e, num pulo rápido, atirou-se
sobre mim, me abraçou, me beijou e os seus bracinhos me apertaram
com o amor que Deus fez florescer no seu coração e que nem a minha
negligência conseguia reprimir.
-Bem
filho, foi pouco tempo depois disso que o jornal me escapou das mãos
e o meu espírito se sacudiu por uma preocupação terrível:
"que será de mim, se me escravizo a este hábito de viver
xingando e estar sempre repreendendo?"
-É
a única recompensa que lhe dou por ser um menino sadio? Não é que
não o ame; é que queria exigir demais. Media a sua juventude pelo
gabarito da minha idade.
-E
há tanto de bom, de excelente e verdadeiro em seu caráter!
-O
seu pequeno coração é tão amplo como a própria aurora a descer
sobre os morros. A prova estava naquele impulso espontâneo de vir
correndo para me beijar e me dar boa-noite. Nada mais vale esta
noite, meu filho.
-Vim
para o lado de sua cama, na escuridão, onde me ajoelhei
envergonhado, como uma pequena penitência. Sei que você não
compreenderia estas coisas se eu as dissesse enquanto você estava
acordado, mas amanhã serei um paizinho de verdade.
-Serei
mais que um amigo; sofrerei quando você sofrer; rirei quando você
sorrir; morderei a língua quando me brotarem palavras impacientes.
-Direi
repetidas vezes, como uma oração: "ele é apenas um menino,
uma criança."
-Receio
e temo que o tenha tomado por homem. Entretanto, meu filho,
contemplando-o agora, encolhido e cansado sobre a cama, convenço-me
de que você é apenas uma criancinha.
-Ainda
ontem você dormia nos braços de sua mãe com a cabeça apoiada no
ombro dela.
-Pedi
demais, pedi demais!
[Redação
do Momento Espírita com base na Revista Seleções]
Aquele pai teve oportunidade de pedir desculpas ao filho por ter sido tão rude, mas, infelizmente, há tantos pais que só se dão conta disso depois que os filhos crescem ou partem para o mundo espiritual, ou pior....nem se dão conta.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.
Jadir Albino
é apresentador do programa “Fronteiras da Ciência”, exibido
aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reprise aos sábados,
às 21h. Na Rádio Saudade FM (100,7MHz), transmitido ao vivo aos sábados,
às 8h.