Experiência
e muito amor - 30/05/2010
Um
dia desses uma jovem me perguntou como eu me sentia sobre ser velha.
Levei
um susto, porque eu não me vejo como uma velha.
Ao
notar minha reação, a garota ficou embaraçada, mas eu expliquei
que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois
voltaria a falar com ela.
Pensei
e concluí:
“A
velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira
vez na vida, a pessoa que sempre quis ser”.
“Oh,
não meu corpo! Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as
rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdome, através
das grossas lentes dos meus óculos, o traseiro rotundo e os seios já
caídos. E constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu
espelho (e que se parece demais com minha mãe), mas não sofro
muito com isso”.
“Não
trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o
carinho de minha família por menos cabelo branco, uma barriga mais
lisa ou um bumbum mais durinho”.
“Enquanto
fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesma, menos
crítica das minhas atitudes. Tornei-me amiga de mim mesma. Não
fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se
tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de
cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim.
Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceira e
de ser extravagante”.
“Vi
muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de
compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem
vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no
computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?”
“Dançarei
ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de 50, 60, 70 e
se, de repente, chorar lembrando de alguma paixão daquela época,
posso chorar mesmo!”
“Andarei
pela praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo
decadente, e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser,
apesar dos olhares penalizados dos outros”.
“Eles,
também, se conseguirem, envelhecerão”.
“Sei
que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar.
Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser
esquecidos. E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente.
Certo, ao longo dos anos meu coração sofreu muito”.
“Como
não sofrer se você perde um grande amor, ou quando uma criança
sofre, ou quando um animal de estimação é atropelado por um
carro? Mas corações partidos são os que nos dão a força, a
compreensão e nos ensinam a compaixão. Um coração que nunca
sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser
forte, apesar de imperfeito”.
“Sou
abençoada por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo
embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer, e por ter os
risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos
profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes
que seus cabelos pudessem ficar prateados”.
“Conforme
envelhecemos, fica mais fácil ser positivo. E ligar menos para o
que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Conquistei o
direito de estar errada e não ter que dar explicações. Assim,
respondendo à pergunta daquela jovem graciosa, posso afirmar: -Eu
gosto de ser velha. Libertei-me!”
“Gosto
da pessoa que me tornei. Não vou viver para sempre, mas enquanto
estiver por aqui, não desperdiçarei meu tempo lamentando o que
poderia ter sido, ou me preocupando com o que virá. E comerei
sobremesa todos os dias e repetirei, se assim me aprouver...”
“E
penso que nunca me sentirei só. Sou receptiva e carinhosa, e se
amizades antigas teimam em partir antes de mim, outras novas, assim
como você, vêm a mim buscar o que terei sempre para dar enquanto
viver: EXPERIÊNICA E MUITO AMOR”.
[autoria
desconhecida]
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.