Isso
não tem preço - 16/05/2010
A
nota é internacional e diz, mais ou menos assim: Aquela poderia ser
mais uma manhã como outra qualquer.
Eis
que o sujeito desce na estação do metrô de Nova York, vestindo
jeans, camiseta e boné.
Encosta-se
próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com
entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush
matinal. Mesmo assim,
durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos
passantes.
Ninguém
sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do
mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo,
um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns
dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os
melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares.
A
experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres
de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá
balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.
A
iniciativa, realizada pelo jornal The Washington Post, era a de lançar
um debate sobre valor, contexto e arte.
A
conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas,
quando estão num contexto. Bell, no metrô, era uma obra de arte
sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse
é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em
nossas vidas, que são únicas, singulares e a que não damos importância,
porque não vêm com a etiqueta de preço.
Afinal,
o que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços
e grifes?
É
o que o mercado diz que podemos ter, sentir, vestir ou ser?
Será
que os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são
manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detêm
o poder financeiro?
Será
que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço?
Uma
empresa de cartões de crédito vem investindo, há algum tempo, em
propaganda onde, depois de mostrar vários itens, com seus
respectivos preços, apresenta uma cena de afeto, de alegria e
informa: “Isso não tem preço”.
E
é isso que precisamos aprender a valorizar. Aquilo que não tem preço,
porque não se compra. Não se compra a amizade, o amor, a afeição.
Não se compra carinho, dedicação, abraços e beijos.
Não
se compra raio de sol, nem gotas de chuva.
A
canção do vento que passa sibilando pelo tronco oco de uma árvore
é grátis.
A
criança que corre espontânea, ao nosso encontro e se pendura em
nosso pescoço, não tem preço. O colar que ela faz,
contornando-nos o pescoço com os braços não está à venda em
nenhuma joalheria. E o calor que transmite dura o quanto durar a
nossa lembrança.
[Redação
do Momento Espírita com base emWillian Hazlitt]
O
ar que respiramos, a brisa que embaraça nossos cabelos, o verde das
árvores e o colorido das flores é um presente gratuito de Deus.
Pensemos
nisso e aproveitemos mais tudo que está ao nosso alcance, sem preço,
sem patente registrada, sem etiqueta de grife.
Usufruamos
dos momentos de ternura que os amores nos ofertam, intensamente,
entendendo que sempre a manifestação do afeto é única,
extraordinária, especial.
Fiquemos mais atentos ao que nos cerca, sejamos gratos pelo que nos é ofertado e sejamos felizes, desde hoje, enquanto o dia nos sorri e o sol despeja luz em nosso coração apaixonado pela vida.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.
Jadir Albino
é apresentador do programa “Fronteiras da Ciência”, exibido
aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reprise aos sábados,
às 21h. Na Rádio Saudade FM (100,7MHz), transmitido ao vivo aos sábados,
às 8h.