Olhar
crítico - 18/04/2010
Convidado
a fazer uma preleção sobre a crítica, o conferencista compareceu
ante o auditório superlotado, carregando pequeno fardo. Após
cumprimentar os presentes, retirou os livros e a jarra de água de
sobre a mesa, deixando somente a toalha branca.
Em
silêncio, acendeu uma lamparina, enfeitou a mesa com dezenas de pérolas
que trouxera num embrulho e com várias dúzias de flores frescas e
perfumadas.
Logo
após, apanhou na sacola diversos enfeites de expressiva beleza, e
enfileirou-os com graça.
Em
seguida, colocou sobre a mesa um exemplar da Bíblia em capa
dourada.
Depois,
diante do assombro de todos, depositou em meio aos demais objetos
pequenina lagartixa, num frasco de vidro.
Só
então se dirigiu ao público perguntando:
-O
que é que os senhores estão vendo?
E
a assembléia respondeu, em vozes discordantes:
-Um
bicho!
-Um
lagarto horrível!
-Uma
larva!
-Um
pequeno monstro!
Esgotados
breves momentos de expectação, o expositor considerou:
-Assim
é o espírito da crítica destrutiva, meus amigos! Os senhores não
enxergaram o forro de seda alva, que recobre a mesa. Não viram as
flores e nem sentiram o seu perfume. Não perceberam as pérolas,
nem as outras preciosidades. Não atentaram para o livro da Bíblia
e nem para a luz da lamparina que acendi no início.
-Mas
não passou despercebida, aos olhos da maioria, a diminuta
lagartixa...
E,
sorridente, concluiu sua exposição esclarecendo:
-Nada
mais tenho a dizer...
[Redação
do Momento Espírita com base em texto de Hermínio Miranda]
Quantas
vezes não nos temos feito cegos para as coisas e situações
valorosas da vida.
Acostumados
a ver somente os fatos que denigrem a sociedade humana, volvemos o
olhar para os detritos morais das criaturas.
Assim,
criticamos a mídia por enfatizar as misérias humanas, os
desvalores, as fofocas e as intrigas, mas, em verdade, isso tudo só
vem a lume porque ainda nos comprazem. Em última análise, é o que
vende!
Não
há espaço para uma mensagem edificante, e os que teimam em
veicular coisas e situações nobres, o fazem sob o peso de enormes
dificuldades.
É
imperioso atentarmos para os nossos valores ou desvalores, antes de
levantarmos a voz para criticar a sociedade e os meios de comunicação
em geral.
É
importante observarmos os nossos interesses pessoais antes de
gritarmos contra os governantes, sem esquecer que eles só ocupam os
cargos depois de eleitos por nós.
Enfim,
é relevante atentarmos para os que buscam divulgar o bem e o belo e
candidatarmo-nos a engrossar essas fileiras.
Assim,
com a exaltação do bem, em detrimento do mal, com a evidência da
paz, em vez da guerra, com a elevação do perfume sobre os odores fétidos,
a sociedade logrará sobrepujar as misérias, evidenciando as
belezas e os atos de essência superior, e encontrada será a
felicidade perene.
É
importante tem em mente que não há efeito sem causa. Todo efeito
negativo, tem uma causa igualmente negativa.
Por
essa razão, antes de reclamar dos efeitos, devemos pensar se não
estamos contribuindo com as causas, direta ou indiretamente.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.