Uso
do machado - 11/04/2010
Conta-se
que um jovem lenhador ficara impressionado com a eficácia e rapidez
com que um velho e experiente lenhador da região onde morava,
cortava e empilhava madeiras das árvores que cortava.
O
jovem o admirava, e o seu desejo permanente era de, um dia,
tornar-se tão bom, senão melhor, que aquele homem, no ofício de
cortar madeira.
Certo
dia, o rapaz resolveu procurar o velho lenhador, no propósito de
aprender com quem mais sabia. Enfim ele poderia tornar-se o melhor
lenhador que aquela cidade já tinha ouvido falar.
Passados
apenas alguns dias daquele aprendizado, o jovem resolvera que já
sabia tudo, e que aquele senhor não era tão bom assim quanto
falavam.
Impetuoso,
afrontou o velho lenhador, desafiando-o para uma disputa: em um dia
de trabalho, quem cortaria mais árvores.
O
experiente lenhador aceitou, sabendo que seria uma oportunidade para
dar uma lição ao jovem arrogante.
Lá
se foram os dois para decidir quem seria o melhor.
De
um lado, o jovem, forte, robusto e incansável, mantinha-se firme,
cortando as suas árvores sem parar. Do outro, o velho lenhador,
desenvolvendo o seu trabalho, silencioso, tranqüilo, também firme
e sem demonstrar nenhum cansaço.
Num
dado momento, o jovem olhou para trás a fim de ver como estava o
velho lenhador, e qual não foi a sua surpresa, ao vê-lo sentado.
O
jovem sorriu e pensou: “além de velho e cansado, está ficando tolo. Por acaso não sabe ele
que estamos numa disputa?”
Assim,
ele prosseguiu cortando lenha sem parar, sem descansar um minuto.
Ao
final do tempo estabelecido, encontraram-se os dois, e os
representantes da comissão julgadora foram efetuar a contagem e
medição.
Para
a admiração de todos, foi constatado que o velho havia cortado
quase duas vezes mais árvores que o jovem desafiante.
Este,
espantado e irritado, ao mesmo tempo, indagou-lhe qual o segredo
para cortar tantas árvores, se, uma ou duas vezes que parara para
olhar, o vira sentado e tranqüilo.
Ele,
ao contrário, não havia parado ou descansado nenhuma vez.
O
velho, sabiamente, lhe respondeu:
-Todas
as vezes que você me via assentado, eu não estava simplesmente
parado, descansando. Eu estava amolando o meu machado!
[com
base em conto de Albigenor e Rose Militão]
Reflitamos
sobre o ensino trazido pelo conto.
Obviamente,
com um machado mais afiado, o poder de corte do velho lenhador era
muito superior ao do jovem.
Este,
embora mais vigoroso na força, certamente não percebeu que, com o
tempo, seu machado perdia o fio, e com isso perdia a eficácia.
Quando
chegamos a determinadas épocas de nossas vidas, como o fim de mais
um ano de trabalho, de esforço, de empreendimento, esta lição
pode ser muito bem aplicada.
É
tempo de amolar o machado!
Embora
achemos que não possamos parar por que tempo é dinheiro, que vamos
ficar para trás, perceberemos, na prática, que se não pararmos
para amolar o machado, de tempos em tempos, não conseguiremos êxito.
Amolar
o machado não é apenas descansar o corpo, é também refletir,
avaliar, limpar a mente e reorganizar o nosso íntimo.
Amolar
o machado é raciocinar, usar da inteligência para descobrir se
estamos usando nossas forças da melhor forma possível.
Assim,
guardemos algum tempo para essas práticas realmente necessárias, e
veremos, mais tarde, que nosso machado poderá cortar as árvores
com muito mais eficiência.
O
bom “uso do machado”
nos dá equilíbrio para uma melhor qualidade de vida.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.