O
segredo da Vida - 04/04/2010
Logo
que aprendeu a ler o menino começou a fazer descobertas.
Um
dia estava folhando um livro e deparou com a palavra "réptil".
Procurou
no dicionário e surpreendeu-se com o significado: "animal que
se arrasta".
Pensava,
até então, que réptil tinha a ver com rapidez e era justamente o
contrário.
Seu
pai riu do seu espanto e disse que as tartarugas também eram répteis.
Falou,
ainda, com ares de mistério, que havia uma lenda chinesa narrando
que Deus havia escrito o segredo da vida no casco de uma tartaruga.
De
olhos arregalados o menino imaginava como poderia ter Deus usado o
casco da tartaruga como se fosse uma folha de papel.
O
pai, encantado com o interesse do filho, salientou que aprender a
ler nos livros era apenas o começo da longa jornada do
conhecimento.
Disse
que, com o passar do tempo, o filho conseguiria ler no rosto de uma
pessoa a história de sua vida.
Que
bastaria observar os olhos de um amigo para ver se neles brilhava,
ou não, felicidade.
Que,
um dia, ao tocar nas mãos de um homem do campo, seria capaz de
conhecer seus sofrimentos.
O
menino não se ateve às novas argumentações do pai.
Ele
era curioso.
Queria
mesmo era saber qual seria o segredo da vida. Por isso, começou a
interessar-se pela vida das tartarugas.
Pesquisou,
leu e aprendeu muito. Passou a reconhecer as espécies e suas
principais características. Sabia onde era possível encontrá-las
e que ameaças a maior parte delas sofria.
Quanto
mais estudava, mais o menino se convencia de que realmente poderia
descobrir a escrita de Deus naquelas criaturas. Elas tinham carapaças
misteriosas, com desenhos estranhíssimos, círculos coloridos,
arestas longitudinais. Algumas até pareciam mais uma pintura.
O
menino foi crescendo e tornou-se um especialista em tartarugas.
Sabia distinguir uma adolescente de uma adulta e conhecia muito a
respeito da desova das espécies marinhas no litoral.
Com
o passar do tempo, porém, ele descobriu uma coisa muito importante.
Deu-se
conta de que, assim como ele procurava o segredo da vida no casco
das tartarugas, havia outras pessoas que buscavam a mesma coisa em
lugares diferentes.
No
pulsar das estrelas.
No
canto dos pássaros.
No
silêncio dos olhares.
No
cheiro dos ventos.
Tudo
que o cercava, afinal, podia ser lido.
Lembrou-se
então das palavras de seu pai.
Somente
agora as compreendia.
Somente
o tempo, como um professor que conduz o aluno pela mão, foi capaz
de fazê-lo entender essa lição.
Longos
anos separavam o ensinamento da compreensão.
Como
todas as pessoas, em geral, ele fazia suas descobertas de forma
lenta.
Muito
lentamente, como as tartarugas. Talvez estivesse aí o segredo.
[com
base em texto de João a. Carrascoza]
Se
você busca o segredo da vida, não se iluda com receitas e roteiros
milagrosos.
Compreender
a divindade e seus atributos, por vezes, parece estar além da
capacidade humana. Porém, não esqueça que Deus está em toda a
parte, animando toda a sua maravilhosa obra. Está, inclusive, em
sua intimidade.
Saber,
conhecer e compreender é a arte obtida através da virtude da paciência
e do amor.
FELIZ
PÁSCOA, REPLETA DE PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE