O
tesouro de Bresa nas montanhas do Harbatol - 21/03/2010
Houve
outrora, na Babilônia, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim,
homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir
a ser riquíssimo.
Como
e onde, no entanto, encontrar um tesouro fabuloso e tornar-se,
assim, rico e poderoso?
Um
dia, parou na porta de sua humilde casa, um velho mercador da Fenícia,
que vendia uma infinidade de objetos extravagantes. Por curiosidade,
Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando
descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde
se viam caracteres estranhos e desconhecidos.
Era
uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, e custava apenas
três dinares.
Era
muito dinheiro para o pobre alfaiate, razão pela qual o mercador
concordou em vender-lhe o livro por apenas dois dinares.
Logo
que ficou sozinho, Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que
havia adquirido.
Qual
não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página,
a seguinte legenda: "O segredo do tesouro de Bresa”.
Que
tesouro seria esse?
Enedim
recordava vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele,
mas não se lembrava onde, nem quando.
Mais
adiante decifrou: "O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do
mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali
se acha ainda, até que algum homem esforçado venha encontrá-lo."
Muito
interessado, o esforçado tecelão dispôs-se a decifrar todas as páginas
daquele livro, para apoderar-se de tão fabuloso tesouro.
Mas,
as primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos,
o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua
dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus.
Em
função disso, ao final de três anos Enedim deixava a profissão
de alfaiate e passava a ser o intérprete do rei, pois não havia na
região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros.
Passou
a ganhar muito mais e a viver em uma confortável casa.
Continuando
a ler o livro encontrou várias páginas cheias de cálculos, números
e figuras. Para entender o que lia, estudou matemática com os
calculistas da cidade e, em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor
das transformações aritméticas.
Graças
aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande
ponte sobre o rio Eufrates, o que fez com que o rei o nomeasse
prefeito.
Ainda
por força da leitura do livro, Enedim estudou profundamente as leis
e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado
primeiro-ministro daquele reino, em decorrência de seu vasto
conhecimento.
Passou
a viver em suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais
ricos e poderosos do mundo. Graças a seu trabalho e ao seu
conhecimento, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e
alegria para todo seu povo.
No
entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido
e relido todas as páginas do livro.
Certa
vez, teve a oportunidade de questionar um venerando sacerdote a
respeito daquele mistério, que sorrindo esclareceu:
-O
tesouro de Bresa já está em seu poder, pois graças ao livro você
adquiriu grande saber, que lhe proporcionou os invejáveis bens que
possui. Afinal, Bresa significa saber e Harbatol quer dizer
trabalho.
[com
base em conto de Malba Tahan]
Com
estudo e trabalho pode o homem conquistar tesouros inimagináveis.
O
tesouro de Bresa é o saber, que qualquer pessoa esforçada pode
alcançar, por meio dos bons livros, que possibilitam "tesouros
encantados" àqueles que se dedicam aos estudos com amor,
trabalho e tenacidade.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.