O
mais importante - 24/01/2010
Era uma vez um jovem que
recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a
outro rei de uma terra distante.
Recebeu também o melhor
cavalo do reino para carregá-lo na jornada.
-Cuida do mais
importante e cumprirás a missão! Disse o soberano ao se despedir.
Assim, o jovem preparou
o seu alforje. Escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as
pedras numa bolsa de couro amarrada na cintura, por baixo das
vestes.
Pela manhã, bem cedo,
sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar. Queria que todo
o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para
desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a
princesa correspondia às suas esperanças.
Para cumprir rapidamente
sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que
sacrificavam sua montaria. Dessa forma, exigia o máximo do animal.
Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não
lhe tirava a sela nem a carga, tampouco se preocupava em lhe dar de
beber ou comer.
-Assim meu jovem, acaba
perdendo o animal - disse alguém pelo caminho.
-Não me importo -
respondeu ele. -Tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro.
Nenhuma falta fará!
Com o passar dos dias e
sob tamanho esforço, o pobre animal não suportou mais os maus
tratos e caiu morto na estrada. O jovem simplesmente o amaldiçoou e
seguiu o caminho a pé. Mas como naquela região havia poucas
fazendas e eram muito distantes uma das outras, em poucas horas o moço
se deu conta da falta que lhe fazia o animal.
Estava exausto e
sedento. Já tinha deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção
das pedras, pois se lembrava da recomendação do rei: "cuida
do mais importante!"
Seu passo se tornou
curto e lento e as paradas, freqüentes e longas.
Como sabia que poderia
cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras
no salto de sua bota. Mais tarde, caiu exausto no pó da estrada
onde ficou desacordado por longo tempo. No entanto, uma caravana de
mercadores que seguia viagem para o seu reino, o encontrou e cuidou
dele.
Quando o jovem recobrou
os sentidos, estava de volta em sua cidade. Imediatamente foi ter
com o rei para contar o que havia acontecido e sem remorso jogou
toda a culpa do insucesso no cavalo "fraco e doente" que
recebera.
-Porém, majestade,
conforme me recomendaste, "cuida
do mais importante", aqui estão às pedras que me
confiaste. Devolvo-as a ti. Não perdi uma sequer.
O rei as recebeu de suas
mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de
seus argumentos.
Abatido, o jovem deixou
o palácio arrasado. Em casa, ao tirar a roupa suja, encontrou na
bainha da calça a mensagem do rei, que dizia:
"Ao meu irmão, rei da terra do norte! O jovem que te envio é candidato
a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns
diamantes e um bom cavalo. Recomendei que cuidasse do mais
importante. Faz-me, portanto, este grande favor e verifica o estado
do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem
é fiel e sabe reconhecer quem o auxilia na jornada. Se, porém,
perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido
nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará
importância à rainha nem àqueles que o servem".
[Redação
do Momento Espírita]
Saber reconhecer aqueles
que verdadeiramente nos auxiliam no dia-a-dia é, sem dúvida, um
grande desafio para muitos de nós.
Dar valor aos empregados
domésticos que estão sempre à disposição para nos atender
prontamente, e que, por vezes, adivinham até nossos pensamentos e
gostos.
Reconhecer o valor dos
familiares, que se constituem em verdadeiros sustentáculos nas
horas difíceis que às vezes chegam. Ser fiel aos amigos sinceros
que caminham conosco e até dividem o peso da nossa cruz, para nos
aliviar os ombros a fim de que recobremos as forças.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.