Só
depende da vontade própria - 22/11/2009
Em
uma grande cidade do Brasil, um garoto de oito anos crescia sob os
cuidados do irmão, apenas dois anos mais velho que ele, pois os
pais precisavam trabalhar o dia todo. Apresentava dificuldades na
escola.
Sua
professora, ao invés de incentivá-lo a melhorar, expunha suas
dificuldades à classe de maneira jocosa, e disse à sua mãe que
ele não tinha mais jeito.
O
garoto, sentindo-se cada vez mais incapaz, repetiu pela segunda vez
o mesmo ano escolar. Revoltado, assaltou a cantina da escola com um
revólver de brinquedo que ganhara, sendo, a seguir, expulso da
escola.
Sem
obrigações, passou a ficar na rua o dia todo e fez-se acompanhar
de outros garotos desocupados. Começaram a assaltar pessoas, roubar
carros e usar drogas.
Alguns
anos depois, alguns de seus colegas de crime perderam suas vidas em
função de dívidas com traficantes. Ele teve a certeza de que
seria o próximo.
Com
medo, procurou uma educadora que criara uma Fundação no bairro
onde morava, e que ensinava atividades como idiomas e música a
jovens carentes.
Ela
o aconselhou a sair das ruas, pelo menos por algum tempo. Para ajudá-lo
a passar o tempo, emprestou-lhe um livro. Era o primeiro livro que
ele lia em sua vida, e foi o suficiente para arrebatá-lo.
Vieram,
então, outros livros e a decisão de procurar um emprego. Na Fundação
que o ajudara, conheceu outros jovens que estudavam para o
vestibular.
Conseguiu
apostilas e passou a estudar no intervalo do emprego. Fez supletivo
aos 21 anos e prestou vestibular para um curso de línguas em uma
Universidade pública de renome. Foi recompensado.
Ainda
cursando a Universidade conseguiu voltar à escola de onde fora
expulso: agora como professor de português.
Depois
de formado, seguiu os estudos ingressando na pós-graduação em
Educação Social. Hoje, trabalha em uma entidade não governamental
na região onde mora.
Escreveu
um livro sobre o assunto e deseja mostrar, com seu exemplo, que é
possível mudar, que nada é irremediável.
[com
base na reportagem “O ladrão que virou professor” do jornal
“On Line” do Estadão]
Algumas
ponderações:
Um
professor tem a obrigação de sempre incentivar e ajudar, e jamais
expor os problemas de alguém de maneira jocosa perante sua turma.
E
o garoto, o que fez para mudar o curso de sua jornada?
Talvez
o medo de perder a própria vida tenha sido fundamental para
incentivá-lo a mudar o rumo de sua história.
Ele
passou a ouvir sua própria intuição e acabou sendo levado a
procurar ajuda no local certo. Encontrou alguém que acreditou nele,
e o mais importante: ele realmente decidiu mudar.
Como
aquela educadora que o acolheu, há incontáveis pessoas e instituições
que hoje se dedicam a auxiliar criaturas em situação econômica
precária, drogados, presidiários, dando-lhes oportunidades. Mas,
em toda e qualquer situação, o auxílio não muda realmente o
indivíduo, a não ser que ele mesmo decida mudar.
Reflitamos
sobre as numerosas mudanças que decidimos fazer em nossas vidas,
mesmo que pequenas, e que, muitas vezes não passam da vontade,
diante do comodismo e dificuldades que criamos para não mudar.
A
história desse jovem nos serve de lição e de exemplo sobre a real
decisão de se modificar e superar a própria condição.
PAZ, SAÚDE
E PROSPERIDADE.
Muito me
honra, mesmo sendo de maneira singela, fazer parte dos 36 anos do
Jornal da Orla, que sem dúvida nenhuma é uma mídia diferenciada,
onde prosperou, exibindo as coisas boasda vida, sem expor a violência
degradante e tão comum em outros órgãos de comunicação. Parabéns
a todos integrantes do Jornal da Orla e principalmente ao amigo
leitor que tanto nos prestigia.
Jadir Albino