A
vida numa gaveta - 27/09/2009
Hoje,
pela manhã, exatamente como um raio de sol, você entrou em meu
quarto. Seu “olá” teve o som de uma sinfonia imortal
para os meus ouvidos.
Esperei
que você se aproximasse de mim, porque minhas pernas já não são
tão firmes e tenho dificuldades para me manter em pé.
Você
ficou à distância. Reclamou do cheiro de mofo e abriu amplamente a
janela. Fiquei feliz porque sempre dependo de que alguém chegue e
faça isso por mim.
Amo
os dias de sol. Eles me recordam os dias felizes em que a memória não
me traía tanto e eu podia me sentir útil, realizando pequenas
tarefas no lar.
Com
a voz fraca, tentei conversar. Mas acho que você deve estar com
muitos problemas, porque traz a face enrugada e parece muito
contrariado. Suas respostas foram curtas e secas e resolvi me calar,
respeitando as suas preocupações.
Foi
aí que você abriu a minha gaveta, aquela pequena da minha cômoda.
“Quanto
lixo!”,
foi o que você disse.
Meu
coração começou a saltar. Você estava mexendo no meu tesouro.
Alegrei-me porque agora, pensei, poderia lhe falar do significado de
cada uma daquelas pequenas jóias.
A
foto amarelada de seu avô e eu. Foi tirada durante nossa lua de
mel. É em preto e branco. Mas eu recordo que o cravo na lapela do
seu avô era vermelho e o meu vestido era estampado com flores miúdas
e coloridas.
“Mas,
o que você está fazendo? Não revire deste jeito as coisas da
gaveta. Você poderá amassar a fita azul que eu usava nos meus
longos cabelos. Ou então o papel de bombom que está aí. São
tantas preciosidades. Não,
não é lixo! É minha vida. Não jogue fora.”
Como
não tenho com quem trocar idéias, nem quem me ajude a relembrar os
dias vividos, que teimam em escapar da memória, sirvo-me dessas
coisas antigas para avivar as recordações.
Elas
são o diário da minha vida. A flor seca me foi dada por sua mãe,
em criança, num feliz dia do meu aniversário. Ela perdeu o viço,
o perfume, mas encerra lembranças dos dias venturosos em que
aguardava as crianças virem da escola, esperava meu eterno noivo
retornar da fábrica.
“Você
estabelece o horário para eu comer, dormir, acordar. Não posso ter
vontades, nem desejos atendidos.”
“Os
meus sonhos, as minhas melhores realizações estão encerradas
nesta gaveta. Os objetos que guardo me ajudam a lembrar que eu
existo e que construi uma história.”
“Não
jogue fora minha identidade. Ela é feita de todas essas pequenas
coisas que você chama de lixo e eu chamo de
‘minha identidade’.”
[Redação
do Momento Espírita]
Aprendamos
a ver nos olhos da criança a mensagem da esperança e nos cabelos
brancos a lição da experiência.
Infelizmente
é muito comum nos transportes públicos os mais jovens não
respeitarem os lugares reservados aos idosos, até mesmo fingindo
que estão dormindo para não ceder seu lugar. Muitos encaram os
mais velhos como verdadeiros estorvos, ocupando os espaços nos
bancos, nos transportes públicos ou mesmo em qualquer fila.
Não
nos esqueçamos que os que hoje vivem a velhice, foram homens e
mulheres que deram o seu valioso contributo ao Mundo e a nossa existência.
Foram
eles que nos geraram, permitindo-nos a vida na Terra. Foram eles que
nos educaram. Foram eles que prepararam as bases para que pudéssemos
desfrutar na atualidade esse mundo de conforto, de tantas e
proveitosas oportunidades.
Tratemos
muito bem os nossos idosos, hoje, enquanto estão conosco. Amanhã,
poderá ser tarde demais.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.