Silêncio
na alma - 06/09/2009
Uma
reunião com índios americanos revela um ensinamento importante e
urgente.
Agrupados
os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
Todos calados à espera do pensamento essencial.
Aí,
de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem.
Terminada
a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande
desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que
ele julgava essenciais.
Esses
pensamentos são estranhos aos demais. É preciso tempo para
entender o que o outro falou.
Se
alguém falar logo a seguir, são duas as possibilidades que se pode
pensar:
Primeira: Quem falou está dizendo: “Fiquei em silêncio só por delicadeza.
Na verdade não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu
pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua
fala”.
Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu
já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem
preciso pensar sobre o que você falou”.
Em
ambos os casos, está se chamando o outro de tolo. O que é pior do
que uma bofetada.
O
longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente
tudo aquilo que você falou”.
Não
basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de
pensamentos.
E
aí, quando se faz silêncio dentro, começa-se a ouvir coisas que não
se ouvia.
[com base em texto de Rubem Alves]
Muitos
são os cursos oferecidos pelo mundo afora, pretendendo ensinar a
falar. Ter uma boa oratória é fundamental nos dias de hoje.
Mas
será que apenas saber falar é suficiente? Não estamos esquecendo
o que vem antes? Não estamos esquecendo de aprender a ouvir?
Não
existem cursos de escutatória, é certo, mas aprender
a ouvir corretamente é de suprema importância.
A
postura humilde de quem ouve, de quem presta atenção nas palavras
do outro, do que o outro diz ou não diz, é a postura do homem de
bem.
Ninguém
se educa e ninguém cresce se não aprende a escutar.
Alberto
Caieiro dizia que... “não é bastante ter ouvidos para ouvir o
que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da
alma”.
Silêncio
dentro da alma significa que os pensamentos devem emudecer de quando
em vez.
As
idéias preconcebidas, a tal maneira
como sempre pensei, devem calar um pouco, e considerar
algo distinto saboreando o novo.
Todos
os grandes da Terra souberam ouvir, souberam se desprender de suas
idéias e considerar novas, considerar o algo mais.
Grandes
escritores são antes grandes leitores. Sabem escutar
outros livros, antes de recitar os seus próprios.
Que
possamos aprender a ouvir mais, a respeitar mais a opinião do
outro, e assim aprender com todos, independentemente se sabem mais
ou menos do que nós.
Exercitemos
a tal escutatória e cultivemos o silêncio na alma e
nos pensamentos.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.