O
direito a liberdade - 24/05/2009
Quando
Gustavo nasceu, seu avô paterno presenteou sua mãe com um pequeno
pássaro em uma gaiola. Acostumado a ter pássaros confinados em
casa, ele não viu mal algum no presente.
Pelo
contrário, ele disse à mãe do pequeno bebê que mantivesse o pássaro
sempre em um lugar no qual fosse possível escutar seu canto, pois
isso acalmaria a criança quando ela estivesse agitada.
O
avô estava certo. A mãe costumava deixar a gaiola no corredor próximo
ao quarto do bebê, algumas horas por dia, e percebia que, desde
cedo, a criança fixava os olhos naquela direção sempre que o pássaro
cantava.
Com
o tempo, passou a sorrir ao escutar o canto da ave, e gostava de
olhar para ela quando a mãe o segurava próximo. O avô e a mãe
sentiam-se orgulhosos.
Gustavo
cresceu acostumado ao canto do pássaro. Gostava de conversar com o
passarinho. Conversas de criança.
Quando
a ave morreu foi rapidamente substituída por outra, para que sua
falta não fosse sentida.
Quando
Gustavo contava quase quatro anos, tentou abrir a gaiola colocada em
cima da mesa. Repreendido pela mãe, respondeu, em sua inocência,
que o passarinho queria sair.
Pouco
tempo depois, fez nova tentativa, e chegou a abrir a portinhola,
sendo repreendido agora pelo pai. Entristeceu-se.
Em
seu aniversário de seis anos, no momento em que apagava a vela do
bolo, o desejo do garoto, dito em voz alta foi: -Eu quero ver o
passarinho voando.
Os
convidados da família riram. Parecia apenas um capricho.
Mas
a criança não desistiu. Resolveu perguntar ao pai por que o pássaro
ficava preso em uma caixinha tão pequena. Estava decidido: queria
soltá-lo.
O
pai achou graça da insistência, e tentou lhe explicar que o
pequeno animal não conseguiria comer sozinho. Ele sofreria, pois se
voasse para longe não acharia o caminho de volta.
E
Gustavo retrucou: -Papai, e se ele encontrar a mamãe dele e ela
der comida? Ele quer voar.
O
pai então se comoveu, entendendo que o filho não compreendia o
confinamento do pássaro, e que desejava mesmo libertá-lo.
Como
explicar melhor para o garoto? Na verdade, ele era pessoalmente
contra esse comércio de aves e as preferia soltas, mas nunca
questionou a esposa.
Conversaram
pai e mãe, e resolveram comprar uma gaiola maior. Com mais espaço,
o pássaro alçava pequenos vôos que divertiam a criança. Mas
Gustavo nunca deixou de dizer que a ave queria ir embora.
Quando,
mais tarde, o pequeno animal morreu, compraram um bebedouro para
aves e passaram a deixar, na varanda, pedaços de frutas. Havia,
diariamente, muitos pássaros da redondeza que comiam, bebiam e
cantavam alegres. E livres.
[Redação
do Momento Espírita]
A
coreografia das aves em vôo e o desfrute da água e dos pedaços de
fruta estabeleciam um quadro de rara beleza e a felicidade da família
foi a recompensa da natureza pelo gesto da compreensão do direito
de liberdade de todos os seres vivos.
Na
verdade, o pequeno Gustavo ensinou aos pais uma lição importante:
não temos o direito de tirar a liberdade de nenhum ser vivo, com a
desculpa de nos dar prazer.
Todas
as criaturas na Terra têm seu lugar e não cabe a nós mudá-lo
apenas por capricho, sem necessidade. O desejo de posse por prazer
revela a inferioridade da alma.
Respeitemos,
pois, o lugar de cada um neste maravilhoso equilíbrio que é a
natureza, para que também nós sejamos respeitados.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.