Criaturas
de Deus - 26/04/2009
Joana
estava sentada na sala. Era inverno. Mas o maior frio que ela sentia
vinha de dentro da alma. Jamais ela sentira tanto medo da
tempestade, dos ventos gelados e da chuva. É que agora estava
sozinha.
Seu
querido Diego havia morrido há 3 meses. Ela jamais poderia imaginar
que sentiria tanto a sua falta.
Desde
que o diagnóstico de câncer terminal chegara, ela se preparara
para a morte dele. Ele também. Homem organizado, deixara toda a
papelada em ordem.
Dinheiro
não lhe faltaria para as necessidades. Ele pensara em tudo, mas a
ausência dele era terrível.
Ao
terceiro toque da campainha, ela se levantou para atender a porta.
Antes, olhou pela janela, um pouco desconfiada. Afinal, havia tantos
assaltos.
Era
um rapaz com uma caixa grande. Viu o carro de entregas estacionado
em frente ao portão. Abriu a porta e o ar gélido entrou, tomando
conta da sala inteira.
-É
a senhora Araújo? -perguntou o funcionário.
Ao
sinal afirmativo de Joana, ele pediu licença para entrar e colocou
a caixa no meio da sala. Antes que pudesse indagar qualquer coisa, o
entregador, jovial, foi explicando:
-A
senhora nos desculpe. Era para entregar somente no início de
agosto. Porém, por excesso de cãezinhos no canil, tivemos que
antecipar um pouco. Espero que a senhora não se importe.
Entregou-lhe
um envelope, abriu a encomenda e retirou o presente: um filhote de cão
Labrador.
-A
carta explica tudo, continuou o rapaz. -O cão foi comprado
em fevereiro, quando a mãe dele estava prenha. Ele tem seis semanas
de idade e é um cão doméstico. A senhora espere um pouco que vou
buscar o restante da encomenda.
Largou
o cãozinho e ele foi se sentar aos pés de Joana, fungando feliz e
olhando para ela. O restante da encomenda era uma caixa enorme de
alimentos para cães, uma correia e um livro “Como cuidar de
seu cão Labrador”.
Joana
continuava parada, estática. Acabara de reconhecer no envelope a
letra de Diego. Quando o entregador se foi, ela andou de volta até
a sua poltrona. Tremia inteira.
O
cãozinho ficou ali, olhando-a ainda com seus olhos castanhos, à
espera de um afago. A carta não era longa, mas repassada de
carinho.
Diego
a escrevera antes de morrer e a deixara com o proprietário do
canil. Era seu último presente de aniversário de casamento. Ele
havia comprado o animal para lhe fazer companhia. A carta era cheia
de amor e lhe dava ainda conselhos e incentivos para que fosse
forte, até o dia em que voltariam a ficar juntos, na
espiritualidade.
Ela
olhou para o cãozinho e estendeu a mão para apanhá-lo. Segurou-o
nos braços. Pensou que fosse pesado, mas tinha o peso e tamanho da
almofada do sofá.
O
animalzinho de pelos castanhos lhe lambeu o queixo e se aninhou em
seu pescoço. Ela chorou de saudades, enquanto o cãozinho ficou
ali, quietinho.
-Então,
criaturinha, aqui estamos você e eu.
O
cachorrinho fungou, concordando, pondo sua língua rosada para fora.
Joana sorriu.
-Então,
vamos para a cozinha fazer uma sopa? Vou lhe dar ração e depois
leremos um bom livro, juntos. Que acha?
O
cãozinho latiu e abanou a cauda, como se tivesse entendido
exatamente o sentido de cada uma das palavras. E acompanhou Joana até
a cozinha.
[com
base em texto de Cathy Miller]
Na
sua imensa sabedoria, Deus criou os animais para auxiliar o homem em
suas tarefas, tanto quanto para lhe prover algumas necessidades.
Também
para servir de amparo aos que andam sós e famintos de afetos.
Tornam-se
muitas dessas criaturas, em sua missão de servirem ao homem,
excelentes zeladores de vidas humanas.
Ao
homem cabe amparar-lhes as vidas e retribuir-lhes com cuidados a
atenção e devotamento. São também eles a manifestação do amor
de Deus na Terra.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.