Homem
também chora - 12/04/2009
Quando
o pai voltava do trabalho, o garotinho corria com os braços abertos
em busca de um abraço aconchegante. Mas, o pai, acostumado à educação
rígida e equivocada do início do século vinte, ia logo dizendo:
“homem não abraça homem”.
O
menino ficava sem saber o que fazer com a vontade de demonstrar seu
afeto e carinho àquele a quem amava e admirava.
Isso
lhe causava extremo desconforto, mas foi se acostumando a não abraçar
o pai, e nem chorar, pois “homens não choram”, segundo a mesma
educação que recebia.
Sempre
que algo o infelicitava, prendia o choro na garganta e corria para
os braços da mãezinha dedicada, a quem podia abraçar sem medo de
ser menos homem.
Esse
conceito ancestral, infelizmente, ainda é muito comum nos dias de
hoje. Muitos filhos homens não se sentem à vontade para abraçar
seus pais e, menos ainda, para beijá-los.
Aquele
garoto, que agora já está com mais de 75 anos de idade, conta que
foi muito difícil conviver com a dificuldade de extravasar seus
sentimentos com quem quer que fosse.
Não
conseguia abraçar os amigos, não conseguia chorar graças às
orientações que recebera na infância.
Diz
ele, que só conseguiu vencer essa barreira, com muito esforço, há
pouco tempo. Hoje ele consegue se entregar num abraço sem medo de
ser feliz. Mas chorar em público é algo que procura evitar, pois a
frase ouvida muitas vezes na infância, ainda o persegue: “homens
não choram”.
Mas
a lógica nos diz que os homens também podem e devem chorar, sem
que isso os diminua como homens. Homens que se privam de extravasar
suas dores e tristezas pelas lágrimas, geralmente arrebentam o coração
em enfartes fulminantes.
O
que faz um ser humano ser digno não é o fato de deixar de chorar,
ou de evitar se envolver num abraço. O que dá dignidade a um homem
é a sua capacidade de amar, de se entregar, de se deixar levar pela
emoção sadia.
O
cancioneiro popular, Gonzaguinha, retratou através da música
“Guerreiro Menino”, essa realidade:
“Um
homem também chora...
Também deseja colo... Palavras amenas.
Precisa
de carinho, precisa de ternura.
Precisa de um abraço da própria candura.
Guerreiros
são pessoas, são fortes, são frágeis.
Guerreiros são meninos no fundo do peito. Precisam de um
descanso. Precisam de um remanso.
Precisam
de um sonho que os torne refeitos. É triste ver este homem
guerreiro menino, com a barra de seu tempo por sobre seus ombros.
Eu
vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra a dor que traz no peito,
pois ama e ama.
Um
homem se humilha se castram seu sonho. Seu sonho é sua vida, e a
vida é o trabalho. E sem o seu trabalho um homem não tem honra.
“E
sem a sua honra, se morre se mata.”
[psicografia
de Chico Xavier pelo espírito Emmanuel e complementação da equipe
de redação do Momento Espírita]
Hombridade
não é sinônimo de dureza.
O
homem é um espírito temporariamente mergulhado num corpo
masculino, mas é um filho de Deus como outro qualquer.
Um
homem também chora... Um homem também sente saudade...
Um
homem também se entristece quando parte um ser querido.
Um
homem também se equivoca, também de arrepende, também se sente só
muitas vezes. E, às vezes, a única maneira de aliviar um pouco o
peito oprimido é deixar que as lágrimas jorrem com vontade.
Jesus,
o maior Homem de que se tem notícia, também chorou.
Pense
nisso, e se sentir vontade ou necessidade, abra as comportas do
peito e deixe que as lágrimas lavem e aliviem seu coração, sem
medo de ser feliz.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.