Só
reclamamos - 05/04/2009
Conta-se
que um açougueiro atendia suas atividades habituais, quando
adentrou o estabelecimento um cachorro.
Ele
se preparou para enxotá-lo, quando percebeu que o animal trazia um
saco à boca. Verificou que, dentro do saco, havia um bilhete.
Atendeu o que estava ali escrito, devolvendo ao cão o saco, com
carne bem acondicionada e troco dos valores que encontrara.
O
animal, com o saco à boca, saiu tranquilamente do açougue e foi
andando pela calçada. O açougueiro ficou intrigado:
“De
quem seria aquele cão tão bem treinado?” Resolveu segui-lo.
O
cão chegou à esquina, levantou-se nas patas traseiras e apertou o
botão do semáforo para travessia de pedestres, parando o trânsito
de veículos.
Então,
atravessou a rua, na faixa de pedestres. Mais adiante, outro semáforo
estava vermelho e o cão parou. Quando o sinal ficou verde, o cão
atravessou a rua.
Chegou
a um ponto de ônibus e esperou. Quando o primeiro ônibus parou, o
cão olhou para o letreiro e não entrou.
Quando
outro ônibus parou, um pouco depois, o animal voltou a olhar o
letreiro. Dessa vez, entrou e ficou perto da porta, acompanhando o
trajeto com atenção.
O
homem do açougue estava perplexo. Nunca vira nada igual.
Depois
de várias quadras, o cão desceu do ônibus e andou um pequeno
trecho.
Frente
a uma casa, abriu o pequeno portão e entrou. Parou frente à porta
e começou a bater com a cabeça na madeira.
Depois,
foi à janela e tornou a bater a cabeça contra o vidro, várias
vezes. Finalmente, a porta se abriu. Um homem grande e zangado veio
para fora e começou a agredir o cão, chamando-o de bobão, inútil,
traste.
O
açougueiro não aguentou. Deteve a agressão e falou ao dono do cão:
-Que
é isto? Você tem um animal extraordinário, treinado, inteligente
e o agride desta maneira?
-Inteligente?
- gritou o dono. -Ele é um tonto. Já falei um milhão de
vezes e este inútil vive esquecendo de levar a chave da porta.
[autoria
desconhecida – complementação da Redação do Momento Espírita]
Naturalmente,
o conto é fictício. Pode levar ao riso. Ou podemos parar um
momento e reflexionar.
Quantas
vezes agimos como o dono desse cão? As pessoas nos servem, nos
agradam e nós... Só reclamamos.
Reclamamos
da mãe que não nos preparou a sobremesa que pedimos. E esquecemos
de agradecer a roupa limpa, impecável, no armário; os pratos
preparados com esmero; as frutas, o suco, o cereal no café da manhã.
Reclamamos
dos pais que não entendem nossos sonhos, nosso papo, nossa turma
legal. E não nos lembramos dos braços que nos carregaram, depois
das brincadeiras, na praia; das horas exaustivas de trabalho deles
para nos garantir a escola, o lazer, as viagens.
Reclamamos
do funcionário que não atendeu uma ordem, em todos os detalhes.
Não
nos lembramos das mil coisas que ele faz todos os dias, sem errar,
diligente, atento, vendendo sempre muito bem o bom nome da nossa
empresa.
Reclamamos
sempre, numa atitude tola de quem não tem capacidade de avaliar o
real valor dos que nos cercam.
Pensemos
nisso e tomemos ciência, primeiro, de que, por vezes, nos tornamos
pessoas um tanto desagradáveis, com esse tipo de atitudes.
Segundo,
perguntemo-nos se nós mesmos faríamos melhor.
É
possível que a nossa incapacidade, preguiça ou acomodação nos
digam que estamos reclamando, de verdade, por nos darmos conta de
como somos dependentes dessas criaturas...
Pensemos
nisso e foquemos de forma diversa a nossa apressada e tola avaliação.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.