Façamos
a nossa parte - 18/01/2009
Era
uma vez um rei que possuía larga extensão de terras.
Habituado
a caminhar pelo seu reino, certa ocasião o soberano irritou-se com
a aspereza do solo que lhe feria os pés. Determinou que todas as
estradas e todos os caminhos fossem cobertos por macios e belos
tapetes.
Todos
os súditos se empenharam em realizar a louca e difícil tarefa
imposta pelo monarca. Passaram-se alguns anos sem que o trabalho
pudesse ser concluído.
Um
dia, o exigente soberano, tomado por uma febre violenta, acabou
morrendo sem ver seu desejo realizar-se.
Um
velho sábio, ao tomar conhecimento daquela estranha história,
comentou: "pobre rei!
Morreu sem concretizar seu sonho e sem saber o quão fácil isso
poderia ter sido!"
Ante
a surpresa e a discordância manifestada por aqueles que o ouviam,
esclareceu: "se o rei não queria ferir-se com a aspereza dos solos, bastaria que
cortasse dois pedacinhos de tapete e os colasse na sola de seus próprios
pés. Se assim tivesse agido, para ele, todo o seu reino seria
acarpetado."
[com
base no livro Parábolas Eternas da editora Sóler]
Críticos
sagazes, somos hábeis em tecer comentários cruéis a respeito de
pessoas e de situações. Somos ágeis em relacionar o que não nos
agrada nos mais diversos lugares e ambientes.
Temos
olhos de águia para criticar e condenar. Estabelecemos listas
infindáveis de coisas a serem melhoradas e corrigidas pelos outros.
Temos
a convicção de que "se não fosse pelos erros dos outros o
mundo poderia ser muito melhor."
Agimos
como se fôssemos meros espectadores e como se não nos coubesse
qualquer responsabilidade perante a vida.
Esperamos
que as coisas se resolvam por si só, ou ainda, que as outras
pessoas façam algo por nós.
Queremos
um mundo onde as estradas sejam acarpetadas para garantir maciez aos
nossos pés. Mas, esperamos que os outros cubram nossos caminhos com
belos e ricos tapetes.
Delegamos
ao resto da humanidade a responsabilidade por toda a nossa desdita e
pela nossa ventura. Em virtude disso, vemo-nos destinados a reclamar
infinitamente pela não realização de nossos sonhos.
Sonhos
esses que teriam grandes chances de se concretizar se nos dispuséssemos
a fazer a parte que nos cabe. Não aguardemos pela iniciativa dos
que nos cercam na realização do que a todos compete efetuar.
Quem
cruza os braços em função da inércia alheia, confunde-se na
multidão dos que nada fazem. Responsabilizar os outros não produz
nada de útil.
Apontar
equívocos alheios não nos autoriza a ignorar os nossos próprios.
Ser
capaz de reclamar não nos aprimora, nem garante a correção das
falhas que apuramos. Abandonemos a acomodação que há tanto nos
acompanha e livremo-nos das garras da preguiça que nos alicia.
Tenhamos
disposição para fazer o que nosso conhecimento e nossa capacidade
nos permitem.
Pouco
a pouco, a gota corrompe a pedra. O raio de luz vence a escuridão.
O vento move a montanha e esculpe as rochas. Demonstra a natureza
que cada qual detém a possibilidade de alterar o que parece imutável.
Cada
um, singela e constantemente agindo, pode marcar a face da história
e transformar o rumo da vida. Atos simples que não exigirão heroísmo,
nem bravura, de nenhum de nós.
Atos
cotidianos e aparentemente banais, mas que, em verdade, integram a
missão individual de cada um perante Deus.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.