Promessas
ao oceano - 28/12/2008
Algumas
folhas de papel, caídas sobre a areia de uma praia pouco visitada,
traziam as seguintes linhas:
"Quando
abraço o oceano com o olhar, volto a questionar milhões de coisas,
tantas quanto às ondas que ganham a areia.
Volto
a questionar: Como alguém pode sentir-se só na presença do mar?
Na presença desta brisa incessante? Na companhia deste perfume
raro?!
Como
ainda posso me sentir só, sabendo que os braços do Invisível me
abraçam, que aqueles que partiram continuam existindo, e que todos
nós, sem exceção, somos amados por alguém!? Como ainda posso me
sentir só?
Talvez
seja porque eu me isole do Mundo, e seja exigente demais com as
pessoas. Pode ser isso. Talvez seja porque eu não permita que os
outros conheçam minha vida, meus sonhos, minhas dificuldades - acho
que há um pouco de orgulho nisso.
Quem
sabe seja porque eu procure a solidão, e não ela que me persiga,
como eu imaginava.
É...
talvez eu precise conversar mais com as pessoas, me interessar mais
por suas vidas, ouvir. Há tempos que não ouço alguém; um
desconhecido relatando os acontecimentos corriqueiros do dia-a-dia;
um colega de trabalho falando das peripécias de seus filhos. Meus
irmãos: há tempos não converso com eles sobre assuntos profundos,
como planos para o futuro, lembranças boas do passado.
É
curioso, pois me lembro de que há algumas semanas ouvi uma mensagem
de cinco minutos, num programa de rádio, que falava sobre isso,
sobre como as pessoas se isolam umas das outras, e do quanto isto é
prejudicial para a saúde mental e física, já que uma é conseqüência
da outra.
O
locutor dizia que ‘Quem
ama não se sente só', pois está sempre se doando, se
envolvendo com os corações mais próximos, na intenção de
ajudar. Dizia ainda que, quando nos sentimos úteis, e concluímos
que muitos dependem de nossa dedicação, de nosso amor, também
esquecemos da solidão.
Acredito
que ele tenha razão, pois lembro que naquele dia fui visitar uns
tios que não via há muito tempo, e aquela visita fez-me tão bem!
Falamos
de assuntos comuns, como notícias de televisão, notícias da família,
mas ao final saí de lá menos tenso, menos preocupado com a solidão.
Abracei
minha tia, e a ouvi dizer, por entre lágrimas discretas:
‘Gostamos muito de você, viu? Venha mais vezes! Não é sempre
que recebemos visitas!'
Ela
está certa. Não é sempre que recebemos visitas, pois não é
sempre que visitamos os outros, creio eu. Naquela tarde, vi que
poderia ser útil em pequenas coisas, e que aquilo me afastava um
pouco da solidão.
Dentro
do carro, voltando para casa, observando o movimento intenso nas
ruas, lembro de fazer estas mesmas perguntas: Como pode alguém
sentir-se só na presença de tanta gente, de tanta vida!? Quantos
desses corações esperam apenas por uma visita? E quantos deles estão
dispostos a fazer uma?
E
aqui está você, amigo oceano, à minha frente, ouvindo todas estas
minhas divagações. Acho que foi sua presença, rei das águas, que
me ajudou a entender melhor o que se passa em meu íntimo.
Agradeço
profundamente por sua companhia, por conseguir me ouvir, e por me
dizer, mesmo sem falar, que o que preciso fazer é visitar mais o
coração de meu próximo.
Muito
obrigado, amigo Oceano."
[autoria
desconhecida]
Nós, e
somente nós, podemos construir um ano melhor, já que um feliz ano
novo não se deseja, se constrói.
Poderemos
almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido.
Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral,
repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma
nova direção à nossa estrada particular. Se começarmos por
modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um
ano mais feliz.
Neste
final de ano, deixe o mar ouvir suas lamúrias e depois faça suas
promessas e permita que o Oceano
seja o testemunho de sua evolução.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.