Enquanto
houver tempo - 26/10/2008
Em
uma pequena cidade, a cena causava espanto e admiração ao mesmo
tempo, talvez porque o protagonista da história fosse um senhor bem
idoso.
Ele
costumava passar o dia inteiro plantando árvores.
Certo
dia, algumas pessoas que passavam por ali pararam, admiradas,
observando aquele ancião a plantar mudas ao longo da rua.
Lisonjeado
com o interesse, o velho parou seu trabalho e explicou:
-
Meus filhos andam sempre insistindo comigo para mandar fazer uma
sepultura. Mas eu tenho
uma idéia melhor. Obtive
licença para plantar árvores nas ruas ainda não arborizadas, e é
assim que estou gastando o dinheiro que poderia ser empregado num
mausoléu.
O
velho respirou fundo e continuou:
-
Já estou com 80 anos, e nunca vi ninguém procurar a sombra de uma
sepultura para descansar, nem é num cemitério que a criançada vai
brincar. Daqui a 20 anos, meu nome estará completamente esquecido.
Mas meus netos e outras tantas crianças estarão aqui para admirar
e usufruir destas árvores.
Todos
continuavam em silêncio ouvindo o senhor idoso.
-
Ademais, quem passar por estas calçadas, nos dias de calor, há de
achar agradável a sombra delas.
Impressionante
a lucidez daquele homem que já vivera quase um século.
A
sua capacidade de discernimento era maior que a dos filhos que,
certamente, não queriam se incomodar com a construção de um túmulo
para o velho pai, quando este fechasse os olhos para o mundo dos
chamados vivos.
Utilizando-se
dos próprios recursos, financeiros e de forças físicas, tratou de
produzir coisas úteis, ao invés de construir o próprio túmulo e
esperar a morte chegar.
Por
certo deixara aos mortos, como o recomendara Jesus, o cuidado de
enterrar seus mortos.
Deixara
para os filhos que estavam mortos para os verdadeiros valores da
vida, o cuidado de enterrar aquele que pensavam estivesse morto, mas
que em realidade estava mais do que vivo.
O
personagem dessa história, certamente já foi enterrado há muito
tempo, considerando-se que o fato ocorreu há mais de 40 anos.
Mas
o seu espírito imortal e lúcido, talvez esteja, neste mesmo
instante, revestido de um novo corpo infantil, pela lei da reencarnação,
brincando de cabra-cega entre as árvores plantadas por ele mesmo há
anos atrás.
Considerando-se
sob esse aspecto, entenderemos por que é que quem faz o bem
pensando nos outros, acaba beneficiando-se a si mesmo. E quem faz o
mal, igualmente recebe o mal como resposta.
Esse
é o efeito bumerangue, ou lei de causa e efeito, ou, ainda, o
"a cada um segundo suas obras", ensinado por Jesus.
[com
base em artigo do Seleções do Reader’s Digest]
Quem
planta flores, planta beleza e perfumes para alguns dias. Quem
planta árvores, planta sombra e frutos por anos, talvez séculos.
Mas
quem planta idéias verdadeiras, planta para a eternidade.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.