Restauração -
21/09/2008
Eu era uma
mesa novinha e bonita. Feita pelas mãos do melhor carpinteiro do
mundo. Fui entalhada com amor e com matéria prima de qualidade.
Nasci forte. Meus detalhes foram esculpidos com sentimento e com o
carinho das mãos do meu pai. Não há outra mesa como eu em toda
Terra.
Participei
de bons momentos. Ajudei muito. Estive presente nos tempos de
alegria e nos tempos
de dificuldade. Sempre firme, segurando tudo e a todos. Jamais
rejeitei uma carga, mesmo que estivesse acima da minha capacidade.
Quanto
significado tive na vida dos que me rodeavam! Participei do
progresso, da luta. Recebi lágrimas e risos. Sempre me doei e sei
que se não estivesse ali, faria muita falta. Mas, como sempre
estava quase nunca era notada.
E assim
transcorreu minha vida. Como a vida da maioria das mesas: sempre
muito participante, cooperando, mas sem reclamar muitos cuidados.
Afinal, a função da mesa é servir. Mas o tempo passou, e com ele,
e a falta de cuidado, fui me desgastando. Minhas quinas um pouco
rachadas tornaram-se ásperas.
Às vezes,
acabava ferindo alguém, mas não era de propósito. Talvez, se
tivessem me restaurado no início, eu voltasse a ser bela e útil
como antes. Mas a vida é tão corrida e não há tempo a perder com
restaurações. Mesmo apesar do desgaste, do mau uso e da falta de
cuidado, prossegui em minha missão, doando o melhor de mim.
As pessoas
ao redor acostumaram-se com minhas arestas e, para evitar um
ferimento, desviavam-se de mim. Quando necessitavam, chegavam com
cautela para que não houvesse atrito entre nós. Apesar do meu
esforço em resistir, pude perceber que algo me roia por dentro. Já
não tinha a mesma força de antes.
Sentia
minhas pernas fraquejarem ao menor peso. Meu tampão antes tão belo
e forte, agora cheio de manchas e rabiscos, parecia afundar em si
mesmo. Senti medo, pois não sabia o que estava acontecendo, mas
ainda queria servir e continuar ali presente.
Um dia,
quase sem perceber, desmoronei. O peso era pequeno, mas para mim
parecia uma tonelada! Quebrei o que estava sobre mim e também
algumas coisas à minha volta.
Feri os
que eu mais amava, pois estavam mais próximos na hora da queda.
Todos me olharam com espanto, alguns até com indignação, outros
com raiva. Ninguém esperava aquilo. Nem eu. Mas já havia sido
devorada em meu interior, por bichinhos rápidos e silenciosos
chamados “cupins”.
Os cupins
costumam deixar uma “sujeirinha”, mas a pressa, às vezes, nos
impede de parar e socorrer a mesa antes que ela desabe. Afinal, ela
ainda está servindo para a sua finalidade...
Esse cupim
se chama DEPRESSÃO. E essa mesa pode ser eu, pode ser você, ou sua
mãe que lhe importuna, ou seu avô que reclama demais, ou seu filho
rebelde, ou sua namorada ciumenta, ou seu marido ausente e
pessimista...
Relendo a
história da mesa, você poderá considerar sua própria vida, e a
vida daqueles que a cercam. Mesmo que sua mesa tenha caído, mesmo
que ela tenha quebrado muitas coisas e pareça imprestável; mesmo
que vá dar muito trabalho consertá-la, CONSERTE-A!
Não
descarte seus pais, seus filhos, seu cônjuge, seus amigos. Não
descarte a si mesmo! É possível a restauração! A pessoa
deprimida é aquela que doou tudo de si, que se esvaziou por
completo para alcançar algo que ela considerava um bem... A pessoa
deprimida precisa de companhia. Alguém que ajude a encontrar o
melhor material para preencher os vazios que a depressão causou.
Que ajude a aparar as arestas. Alguém que a queira nova outra vez.
Se, para todo bem, há uma participação Divina, Deus neste momento
está providenciando o necessário para que você encontre forças e
alternativas para ajudar.
Se você
está em depressão, erga os olhos. A ajuda vem do alto. Mas também
vem dos lados: de um abraço, uma conversa, uma carta, um e-mail.
Lembre-se de que, para Deus, tudo é possível.
É POSSÍVEL
VOLTAR A SER UMA MESA NOVA!
“A
depressão é uma travessia. Ela pode durar muito ou pouco. Mas, em
qualquer das hipóteses, fica mais fácil na companhia de Deus, da
família, e, dos amigos verdadeiros”.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.