Autógrafo
do Criador - 07/09/2008
A
professora levou seus alunos até os jardins do colégio para lhes
falar sobre a natureza mostrando-lhes a natureza viva.
Aproximou-se
de um flamboyant, coalhado de flores, e perguntou aos alunos que árvore
era aquela.
Alguns,
disseram que era uma árvore, apenas. Outros, que aquela árvore era
um flamboyant, pois em sua casa havia um semelhante.
Uma menina
falou que os flamboyants só servem para fazer sujeira na calçada,
quando derrubam as flores, pois isso é o que sua mãe diz sempre.
Um garoto
disse que seu pai havia cortado um, recentemente, pois suas raízes
racharam o muro de seu quintal.
Mas Pedro,
menino de alma sensível, começou dizendo que via ali muito mais
que uma árvore.
Disse que
via as flores, muito belas por sinal, mas que também podia sentir
seu suave perfume.
Chamou
atenção para as abelhas que pousavam de flor em flor, e também
dos pássaros que buscavam refúgio em seus galhos aconchegantes.
Lembrou
que todos estavam sob a sombra generosa que as folhas propiciavam, e
apontou para alguns insetos que passeavam ligeiros, pelo tronco
gentil.
Falou,
ainda, das muitas vidas que encontram guarida naquele flamboyant
desprendido, como liquens, musgos, pequenas bromélias e outras
tantas formas de vida que se podia perceber.
“Eis
o que percebo, professora”, falou Pedro, com a espontaneidade
de um pequeno-grande poeta.
A
educadora, ainda embevecida com a aula que acabara de receber, falou
amavelmente: “você tem razão,
Pedro. Definir este pequeno universo simplesmente como uma árvore,
é matar toda a sua grandeza e majestade.”
Existem
pessoas que não percebem os flamboyants floridos em praças,
bosques e ruas. Elas são muito ocupadas para perder tempo com
coisas sem importância.
Tem
pessoas que definem flores e folhas apenas como sujeira indesejável.
Outras
preferem cortar árvores de dezenas de anos, para que não rachem
seus muros e calçadas de cimento. Existem também aquelas para as
quais os flamboyants representam alguns cifrões. Cortados, poderiam
oferecer madeira para lenha ou se transformar em belos móveis.
E há
aquelas pessoas, como o pequeno Pedro, que vêem muito mais que uma
simples árvore. Vêem o autógrafo do Criador, na majestosa obra da
natureza.
E você, a
que grupo de pessoas pertence?
[com
base no livro “Minha infância e mocidade”, de Albert Schweitzer]
Reverenciar
a vida é respeitá-la na sua mais ampla forma de expressão.
Albert
Schweitzer, o notável e mundialmente famoso missionário, médico,
musicista e filósofo da Alsácia, conta em seu livro autobiográfico
intitulado “Minha infância
e mocidade”:
“Achava
inconcebível antes mesmo de freqüentar a escola que, na oração
da noite, só me mandassem rezar pelos homens.
Por
isso, depois de mamãe orar comigo e dar-me o beijo de boa noite, eu
acrescentava, por conta própria, uma pequena oração suplementar,
de minha autoria, em nome de todos os seres humanos, dizendo:
Bom
Deus, protegei e abençoai tudo o que respira, preservai-nos do mal
e fazei-nos dormir tranqüilamente!”.
Um garoto
de apenas sete anos de idade, com uma consciência lúcida sobre o
que é reverenciar a vida.
Apenas um
menino, mas certo de que amar a Deus sobre todas as coisas quer
dizer, em primeiro lugar, respeitar sua obra, e todas as coisas por
ele criadas.
PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.